terça-feira, 23 de março de 2010

Desenvolvido aparelho que dessaliniza pequenas porções de água

Apesar de o planeta ser 70% de água, apenas 3% é considerado água para consumo, ou seja, 97% de toda a água do planeta está nos oceanos e mares. Existem técnicas de dessalinização, porém atualmente estas requerem um alto consumo de energia e só são eficientes quando envolvem grandes quantidades de água. Por este motivo, é difícil utilizá-las em regiões afetadas pela pobreza ou por desastres naturais.
Em busca de melhores técnicas, cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um aparelho capaz de transformar pequenas quantidades de água do mar em água potável de uma forma mais simples que os métodos já existentes.
Publicado na Revista Nature, o aparelho, desenvolvido por cientistas do MIT liderados por Jongyoon Han, funciona mediante um fenômeno conhecido como "polarização por concentração de íons". Esse processo se produz quando uma corrente de íons circula através de um nanocanal que vai selecionando os íons.
O nanocanal se situa entre dois microcanais por onde circula a água salgada e, quando se aplica uma voltagem ao nanocanal, os íons se concentram em um extremo do nanocanal e se esvaziam no extremo oposto. Em conseqüência desse processo, se repelem os íons salinos de água marinha próximos ao nanocanal. Ao transformar um dos microcanais em dois canais próximos à zona de repulsão, apenas a água dessalinizada, que não tem carga iônica alguma, pode atravessar a zona carregada e passar assim a outro canal destinado à água potável.
O método permite eliminar os sais e as partículas de maior tamanho, como as células, os vírus e microorganismos, com tanta eficácia quanto as mais modernas usinas de dessalinização.







Instituto Nokia de Tecnologia desenvolve software que ajuda a reduzir casos de dengue no Amazonas

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que o número de casos de dengue cresceu mais de 100% nas primeiras seis semanas deste ano, em relação a 2009. Foram registradas até agora 108.640 ocorrências em todo país. O grande aumento foi provocado pelas altas temperaturas e pelas chuvas acima da média para o período. Questões sociais como as dificuldades para controlar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti levaram o Instituto Nokia de Tecnologia (INdT) a trabalhar no desenvolvimento de soluções que possam ter um papel fundamental para reverter este cenário negativo.
O Nokia Data Gathering (NDG) é um software desenvolvido pelo instituto, que ajuda organizações a coletar dados de pesquisas de campo de forma rápida e enviá-los em tempo real. Esta nova tecnologia, que substitui formulários em papel, garante resultados mais seguros. Com a adoção desta ferramenta, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM), por exemplo, registrou em 2009 uma importante redução de casos de dengue na região metropolitana de Manaus.
Lançado em 2008, o NDG permite às organizações criar questionários detalhados para distribuição em diversos aparelhos móveis por meio da rede celular. Agentes podem preencher o questionário no visor do aparelho e mandar as informações em seguida para um servidor central. O sistema também possibilita o uso do geotag (marcação geográfica) com informações de GPS, que permitem identificar em um mapa os pontos exatos onde a coleta foi realizada.
“O formato convencional de pesquisas exige o transporte de muitos formulários, além de existir sempre o risco de preenchimento incorreto e conseqüente demora na análise e compilação dos dados”, diz André Erthal, diretor da área de Experiência em Serviços do INdT.
A tecnologia do Nokia Data Gathering garante a transmissão de dados quase em tempo real, por meio da conexão GPRS das redes GSM. Em locais onde não há rede, os dados ainda podem ser armazenados em um cartão de memória e enviados quando o sinal se restabelecer. Ainda há a possibilidade de envio de dados para um computador via Bluetooth (sem fio), cabo USB ou pelo próprio cartão de memória.
A SUSAM vem utilizando o Nokia Data Gathering desde outubro de 2008 na prevenção de doenças. A partir deste ano, especialistas de saúde saíram às ruas da região metropolitana de Manaus, munidos de aparelhos Nokia E61 e Nokia E71, para obter e registrar dados sobre comportamentos preventivos e sintomas da dengue.
Foram coletados mais de oito mil resultados em campo na zona leste da capital amazonense, onde a maioria dos casos estava sendo registrada. Os dados recolhidos ao longo da campanha serviram de suporte aos inquéritos bimestrais realizados para o levantamento rápido de presença de larvas do mosquito Aedes Aegypti em residências e outros edifícios.
Segundo o Secretário Estadual de Saúde do Estado do Amazonas, Agnaldo Costa, durante a campanha 2007/2008 para a prevenção da dengue, 3.522 casos foram identificados em Manaus. Com o suporte da ferramenta via celular, o número de ocorrências na campanha 2008/2009 foi reduzido para 245. O resultado ajudou o Amazonas a sair da lista do Ministério da Saúde que indica os estados que mais contribuem para a proliferação da dengue no Brasil.
A tecnologia do NDG é flexível e permite a customização de formulários e questões destinadas a outras áreas em que a obtenção remota de dados também é fundamental, como agricultura, censos, serviços emergenciais e suporte a crianças carentes, entre outras.
A Nokia disponibiliza gratuitamente licenças para o uso do software a organizações do setor público e ONGs e trabalha com vários outros órgãos públicos na Ásia e América Latina para implantar o serviço.

Saiba mais: http://www.nokia.com/datagathering

domingo, 21 de março de 2010

Tecnologia Ambiental na Europa

À medida que o preço do petróleo continua a subir e o aumento das emissões de dióxido de carbono continua a ter impacto no clima e nos ecossistemas do nosso planeta, a utilização das tecnologias ambientais torna-se indispensável para desenvolver as nossas economias de forma mais sustentável.
As tecnologias ambientais fornecem soluções para diminuir os influxos de substâncias, reduzir o consumo de energia e as emissões, reaproveitar os subprodutos e minimizar os problemas da eliminação de resíduos. Melhoram a eco-eficiência, ou seja, permitem "fazer mais com menos", apoiam a aplicação de sistemas de gestão ambiental e tornam os processos produtivos mais ecológicos.
Existem grandes oportunidades na Europa para utilizar melhor as mais recentes tecnologias nos domínios da energia, dos transportes e dos materiais utilizados. As empresas europeias são especialmente fortes na produção de energias renováveis e na gestão e reciclagem de resíduos, sectores onde detêm uma percentagem do mercado mundial de 40 % e 50 %, respectivamente.
As tecnologias ambientais são igualmente utilizadas para recolher informações sobre o ambiente – acompanhamento e recolha de dados para identificar a presença de poluentes, alterações na ocupação dos solos ou para detectar os efeitos na saúde humana através da bio-monitorização.
As tecnologias ambientais têm potencial para, durante a próxima década, contribuir para reduzir as emissões dos gases com efeito de estufa até 25–80 %, a destruição da camada de ozono até 50 % e a acidificação e eutrofização até 50 %. O sector da água enfrenta o desafio de desenvolver tecnologias novas e mais económicas que incluam os aspectos energéticos e as externalidades ambientais. Estão igualmente previstos avanços tecnológicos significativos e uma expansão do mercado no que diz respeito a soluções de aproveitamento de resíduos para a produção de energia em pequena escala e ao desenvolvimento de sistemas de energia de biomassa em pequena escala.
Para concretizar o potencial das tecnologias ambientais, será necessário criar maior aceitação do mercado. O desconhecimento dos custos reais da obtenção, utilização e eliminação de materiais e energia continua a representar um grande obstáculo para uma maior implementação das eco-inovações.
Os consumidores e os investidores precisam de conhecer com mais exactidão o desempenho e os benefícios ambientais das diferentes tecnologias para poderem comprar e financiar com toda a confiança produtos que são frequentemente novidade no mercado. Para apoiar este objectivo, os responsáveis políticos europeus estão actualmente a debater a forma como deverá processar-se a verificação dessas tecnologias.

sábado, 20 de março de 2010

A fertilização dos oceanos com ferro foi proposta como uma forma de enfrentar as mudanças climáticas.


A fertilização dos oceanos com ferro foi proposta como uma forma de enfrentar as mudanças climáticas.
A ideia é de que o ferro promove o crescimento do fitoplâncton, que remove o dióxido de carbono da atmosfera através da fotossíntese. Quando o fitoplâncton morre e afunda, o carbono é isolado no fundo do oceano.
O entusiasmo com a ideia vem diminuindo, em parte devido à preocupação com a manipulação em larga escala dos ecossistemas marítimos.
Um estudo recente, publicado na revista científica "The Proceedings of the National Academy of Sciences" aponta para um risco específico: com a promoção do crescimento de certos organismos, o enriquecimento do ferro pode resultar na produção de uma neurotoxina, o que traria prejuízos ao meio ambiente.
Charles G. Trick e sua equipe, da Universidade Western Ontario, estudaram várias espécies de diatomáceas (organismos unicelulares) do gênero Pseudo-nitzschia.
Tóxico - Estes organismos produzem ácido domoico - aminoácido raro -, utilizado para ajudar no crescimento. Porém, este ácido é tóxico para muitos organismos, inclusive mamíferos aquáticos e seres humanos.
As grandes florescências de Pseudo-nitzschia nas águas costeiras causaram o envenenamento de leões marinhos que se alimentam de moluscos contaminados.
Alguns estudos haviam sugerido que, no meio do oceano, as diatomáceas não produzem a toxina. Mas Trick disse que o trabalho de sua equipe prova que essas pesquisas anteriores estavam incorretas.
As Pseudo-nitzschia colhidas no meio do oceano e sujeitas às experiências a bordo do barco de pesquisas produziram uma grande quantidade de ácido domoico. "Descobrimos que há muita toxina lá", disse ele. "Caso semeássemos com ferro, a quantidade de toxina aumentaria."
Os pesquisadores encontraram provas de que o aumento da produção de ácido domoico permitiu que as Pseudo-nitzschia invadissem outros fitoplânctons. "É mais tóxico do que antes e está presente em maior quantidade", afirmou Trick.

Fonte: Folha Online

sexta-feira, 19 de março de 2010

Expansão mundial de energia eólica continua apesar de reflexos da crise econômica

O Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council) divulgou em fevereiro os números do avanço de projetos de energia eólica no mundo em 2009. A capacidade instalada cresceu 31% em 2009, passando de 120, 8 GW para 157,9 GW (ou 157.900 MW). Estes números têm superado as projeções mais otimistas do Greenpeace e surpreendido inclusive até mesmo a indústria eólica.
O crescimento representa cerca de três usinas de Itaipu e aconteceu em grande parte na China, que acrescentou 13 GW e dobrou sua capacidade instalada pelo terceiro ano seguido. Os Estados Unidos vieram com a segunda maior contribuição, de 9,9 GW, e seguem como o país com maior capacidade de energia eólica no mundo, com 35 GW. A Europa instalou 10,5 GW no ano passado, liderados por Espanha (2,5 GW) e Alemanha (1,9 GW).
"A continuidade do rápido crescimento da energia eólica, apesar da crise financeira e da recessão econômica é uma prova da capacidade de atratividade desta tecnologia limpa, confiável e rápida de instalar. A energia eólica se tornou a fonte que mais cresce em cada vez mais países do mundo", disse Steve Sawyer, Secretário Geral do GWEC. "Apesar da falta de consenso nas negociações de Copenhague, a energia eólica continuou a crescer graças a políticas energéticas nacionais em seus principais mercados", disse ele.
O mercado global de turbinas eólicas movimento cerca de 63 bilhões de dólares em 2009, empregando cerca de meio milhão de pessoas ao redor do mundo, de acordo com a GWEC. Os 157,9 GW de capacidade instalada economizam cerca de 204 milhões de toneladas equivalentes de carbono por ano. Estes números não deixam dúvidas de que a energia eólica é a escolha certa tanto para a economia, quanto para o clima.
O Brasil, que havia fechado 2008 com 400 MW instalados, agora conta com 660 MW de capacidade instalada. A conclusão das usinas contratadas pelo Proinfa (Programa Nacional de Incentivo às Fontes Alternativas) e o impulso dado pelo primeiro leilão de energia eólica, realizado em dezembro de 2009, devem elevar este número a 3 mil MW em 2012.
“O Brasil tem todas as condições de aproveitar seu gigantesco potencial eólico e posicionar-se entre os países de maiores gerações no mundo. Para tanto, o Greenpeace vem trabalhando no fortalecimento das políticas energéticas para novas fontes renováveis no país e pede a realização de leilões anuais de 1000 MW para a fonte eólica.” declarou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace Brasil.

Fonte: Greenpeace

Seminário apresenta substância para substituir gases nocivos à camada de ozônio

O bem-sucedido modelo que reduziu em mais de 95% o lançamento na atmosfera de Clorofluorcarbono (CFC), gás que destrói a Camada de Ozônio, já começou a ser aplicado para eliminar do mercado os seus substitutos, os Hidroclofluorcarbonos, HCFCs, utilizado em larga escala nos refrigeradores, ar-condicionados e na indústria de plásticos. Mesmo com potencial agressivo 50 vezes menor, os HCFCs terão que ser banidos dos processos industriais até 2040, segundo determina o Protocolo de Montreal, do qual o Brasil é signatário.
O Ministério do Meio Ambiente apresenta, na próxima terça-feira (23), em Curitiba (PR), o resultado de 16 experiências brasileiras e mexicanas de substituição dos HCFCs por Formiato de Metila. A substância é uma das alternativas para a redução de emissões de gases prejudiciais à camada de ozônio. Setores envolvidos com a fabricação de bens de consumo que contêm os HCFCs em sua formulação vão conhecer e discutir a viabilidade econômica, a segurança, os riscos à saúde e questões técnicas que envolvem aplicação da nova tecnologia.
Os HCFCs chegaram ao mercado consumidor na década de 80 como alternativa ao uso dos CFCs. Eram a melhor opção disponível por serem mais práticos e baratos, não exigindo grandes adaptações na produção. Somado ao seu menor potencial de impacto na camada de ozônio, foram prontamente adotados. Porém, o Protocolo modificou os prazos e atualmente prevê a paralisação em 2013 dos níveis de consumo e, a partir de 2015, a redução de 10%, de sua aplicação nos processos industriais.
Participam do Seminário Internacional na capital paranaense, empresas total ou parcialmente nacionais. Potenciais candidatas à utilização dos recursos do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal para conversão de seus processos industriais que utilizem HCFCs, se reúnem com membros da secretaria executiva do organismo e representantes de Unidades de Ozônio dos países membros do Protocolo. Segundo a Coordenação de Proteção da Camada de Ozônio do MMA, são realizadas reuniões anuais com o mercado para a busca de soluções de substituição, já que essa é uma exigência do acordo internacional.
Algumas alternativas ao gás já estão à disposição no mercado. O Projeto Piloto de Tecnologias Livres de HCFCs pretende incluir o Formiato de Metila nesse rol. A substância tem características que atendem principalmente à aplicação como alternativa nos processos de fabricação de espuma de Poliuretano (PU). Este tipo de plástico está no ciclo de produção de vários bens de consumo domésticos e industriais, sendo usado também como gás propelente em alguns tipos de aerosol. Esses setores estão obrigados a fazer a sua substituição gradativa.

Fonte: MMA

quinta-feira, 18 de março de 2010

Vulcões submarinos são essenciais para o clima, dizem cientistas

Em publicação da Nature Geoscience, um estudo do Centro de Pesquisa Cooperativa sobre o Clima e os Ecossistemas Antárticos, na Tasmânia, afirma que os vulcões subterrâneos são essenciais para o equilíbrio do clima.
De acordo com cientistas australianos e franceses “uma ampla rede de vulcões submarinos bombeando água rica em nutrientes para o oceano Meridional exerce um importante papel na absorção de grandes quantidades de dióxido de carbono, funcionando assim como um freio para a mudança climática” Eles demonstraram pela primeira vez que os vulcões são uma importante origem do ferro que o fitoplâncton (plantas unicelulares) usa como alimento, absorvendo o CO2 nesse processo.
Os oceanos absorvem cerca de 1/4 do CO2 resultante da queima humana de combustíveis fósseis e do desmatamento. O trecho de oceano entre Austrália e Antártida esta entre as maiores "fossas de carbono".
O fitoplâncton é a base da cadeia alimentar do oceano. Quando esses organismos morrem ou são comidos, levam consigo grandes quantidades de carbono, que acabam absorvidas pelo leito marinho, armazenando o carbono durante séculos.
Vários estudos já mostraram que os vulcões submarinos liberam ferro, "mas nenhum estudo levou em conta isso em um nível global nem considerou sua importância para o armazenamento de carbono no oceano Meridional", disse à Reuters Andrew Bowie, do Centro de Pesquisa Cooperativa sobre o Clima e os Ecossistemas Antárticos, na Tasmânia, um dos autores do estudo.
Os vulcões estão espalhados ao longo de cordilheiras marítimas que marcam o limite entre grandes placas tectônicas. O estudo se baseou em medições de quanto ferro existe no oceano Meridional a profundidades de até 4.000 metros.
O oceano Meridional em geral é pobre em ferro, o que dificulta o crescimento do microplâncton. Os cientistas já sabiam que o ferro pode ser soprado pelo vento ou ser originário de sedimentos litorâneos, mas essas são fontes variáveis.
Já o ferro dos vulcões profundos, segundo o estudo, é relativamente constante e responde por 5 a 15 por cento do armazenamento de carbono no oceano Meridional, chegando em algumas regiões a 30 por cento.
Isso significa que os nutrientes do vulcão podem servir de anteparo quando outras fontes, como a poeira trazida pelo vento, variam.