terça-feira, 1 de junho de 2010

Vazamento segue e EUA já falam em “esperar pelo pior”

Após o fracasso de sua operação para conter o vazamento de petróleo no golfo do México, a BP anunciou ontem um novo plano, enquanto admite que não conseguirá fazer o vazamento parar nas próximas semanas.
“Se conseguirmos conter o fluxo do poço até agosto, fazendo com que não se derrame mais óleo no mar, será uma saída positiva”, disse Bob Dudley, diretor-geral da BP, após constatar que a tentativa de injetar resíduos sólidos no poço não havia conseguido deter o óleo.
Essa estratégia, chamada de “top kill”, foi abandonada em definitivo. “Estamos decepcionados. Não fomos capazes de controlar o fluxo do poço. O vazamento foi enorme”, disse Dudley. A BP tinha dito antes que o “top kill” tinha entre 60% e 70% de chance de funcionar.
Enquanto isso, Carol Browner, conselheira sênior de Barack Obama na área ambiental, disse que o governo está “se preparado para o pior”. Ela disse que “o povo americano precisa saber” que a Casa Branca está preocupada com a possibilidade de o problema não se resolver nos próximos meses.
Pelo menos 80 milhões de litros do combustível fóssil foram derramados no mar desde o desastre começou, há cinco semanas.
Browner reafirmou que o desastre ambiental é “provavelmente o pior que já enfrentamos neste país”, deixando para trás o derramamento de óleo provocado pelo petroleiro Exxon Valdez, no Alasca, em 1989.
Tente outra vez - A BP tentará agora usar uma cúpula de contenção similar à utilizada no início de maio. Ela falhou porque cristais de gelo se formaram, impedindo que o petróleo fosse canalizado a uma plataforma na superfície.
Segundo Dudley, o fracasso trouxe lições para os engenheiros que poderiam ser utilizadas na nova cúpula.
O chefe das operações da BP, Doug Suttles, admite, porém, que mesmo se a operação for bem sucedida, só poderá conter parte do petróleo. Isso porque os engenheiros perceberam que não será possível fazer uma cúpula com um encaixe perfeito, que canalize todo o petróleo.
Por isso, a empresa está fazendo novas perfurações. A ideia é canalizar o petróleo por um poço secundário, fazendo com que a pressão do reservatório diminua e o vazamento se reduza até parar.
Essas perfurações vão levar, porém, pelo menos dois meses até ficarem prontas. A conselheira de Obama reforçou que o governo está pressionando a BP para que elas saiam o quanto antes.

Fonte: Folha.com

Cientistas alertam para “desastre invisível” no golfo do México

Um grupo de cientistas independentes e funcionários do governo americano afirmou nesta segunda (31) que o vazamento no golfo do México representa um desastre não só para a vida na superfície do mar mas também em suas profundezas, afetando desde gigantescas baleias cachalotes até o minúsculo plâncton.
Grupos de animais de marinhos emergem todas as noites de águas profundas para águas mais rasas para alimentar-se de outros peixes. Espécies que vivem próximo à superfície, como camarões e vermelhos, servem de alimento para muitos desses animais das profundezas. A presença de óleo tanto em águas rasas quanto em águas profundas pode alterar esse equilíbrio ecológico.
Além disso, algumas dessas espécies estão em sua época anual de procriação. Ovos expostos ao óleo tornam-se rapidamente inviáveis, e os animais que conseguirem nascer, poderão morrer de fome com a queda na quantidade de plâncton disponível.
“Todo peixe e invertebrado que entra em contato com o óleo está provavelmente morrendo”, afirmou Prosanta Chakrabarty, biólogo de peixes da Universidade Estadual da Louisiana.
Em 2009, Chakrabarty descobriu duas novas espécies de peixes-morcego vivendo a cerca de 48 quilômetros da costa da Louisiana, próximo à região região onde a plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, afundou no dia 24 de abril.
É possível que, quando o artigo científico de Chakrabarty descrevendo a descoberta aparecer publicado na edição de agosto do “Journal of Fish Biology”, as duas espécies estejam seriamente ameaçadas ou até extintas.
Segundo pesquisadores, pelo menos duas grandes colunas de óleo foram encontradas a centenas de metros abaixo da superfície, abrangendo uma área de quilômetros.
Executivos da petrolífera BP, no entanto, negam o espalhamento de óleo sob a superfície. O diretor-executivo da BP, Tony Hayward, disse que o óleo naturalmente sobe à superfície e que qualquer óleo encontrado nas profundezas encontra-se em seu curso para a superfície.

Fonte: Folha.com

Desastre ambiental nos EUA pode elevar custos do pré-sal, diz Eike Batista

O vazamento de petróleo em um poço da BP (British Petroleum) no golfo do México poderá aumentar os custos de extração na região pré-sal do Brasil, afirmou nesta segunda-feira (31) o bilionário Eike Batista, presidente do grupo EBX, holding que congrega empresas como a OGX, do setor de petróleo.
“Aumentaria o custo com certeza, mas numa dimensão que não inviabilizaria o retorno ao investimento”, declarou ao ser questionado sobre o assunto em um evento em São Paulo.
Especialistas no país alertaram, após o vazamento no golfo, que o Brasil deveria tomar medidas preventivas para evitar acidentes como aquele na área de exploração da BP, já que os equipamentos utilizados pela indústria atualmente poderiam não ser adequados às profundidades maiores do pré-sal.

Fonte: Folha.com